Livro "As copas do mundo no Brasil" é lançado no Centro Cultural UFSJ
- Raphael Castilho
- 31 de mai. de 2019
- 4 min de leitura
Material reúne a pesquisa de seis autores sobre as Copas do Mundo de 1950 e 2014 e analisa os eventos em diversas perspectivas

Foto da divulgação do evento de lançamento do livro que acontece no Centro Cultural UFSJ
No sábado, 25 de maio, entre às 11h e às 14h30m, aconteceu no Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o lançamento do livro "As Copas do Mundo no Brasil: memórias, identidades e diplomacia (1950/2014)". O material reúne a pesquisa de seis autores, organizadas por Euclides de Freitas Couto, e analisa os contextos históricos, sociais, políticos e jornalísticos das Copas do Mundo FIFA realizadas no Brasil em 1950 e 2014.
Transitando desde os interesses financeiros do mega evento até os espectros culturais do país sede e dos participantes, duas motivações inspiraram a produção da coletânea.
A primeira, sintonizada com a Nova História Política, aborda o caráter espoliativo e polêmico das Copas do Mundo que, respaldadas pelas políticas neoliberais do governo, criaram um imbróglio que desfalcou os cofres públicos e articulou atores públicos e privados para a construção da infraestrutura necessária para os jogos. A segunda, com base culturais e de tradição, estuda as tensões regionais e nacionais, ao tempo que relaciona tais temáticas com os sujeitos da Copa do Mundo de 1950.
A pesquisa sociopolítica do tema e as ações dos organizadores se fazem muito importantes para entender todas as fases por trás dos eventos que se mostraram traumáticos na memória do brasileiro. Dentro de campo, o Brasil foi derrotado por 2 a 1, na final contra o Uruguai em 1950, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, e por 7 a 1, na semifinal contra a Alemanha em 2014, no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.
Parte das pesquisas, além da organização da coletânea, são responsabilidade do Prof. Dr. Euclides de Freitas Couto, que possui doutorado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestrado em Ciências Sociais pela PUC-Minas, além de graduação em História e em Educação Física. Atualmente, Euclides é professor do Programa de Mestrado em História da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), onde desenvolve pesquisas históricas e sociológicas sobre o esporte. Envolto na expectativa para o lançamento do material, conversamos com ele sobre o tema.
Raphael Castilho - Qual foi a importância da Copa do Mundo FIFA para o contexto sociopolítico nacional em 1950 e em 2014?
Prof. Euclides de Freitas Couto - Em 1950, a Copa do Mundo FIFA não possuía a mesma dimensão política e econômica que alcançou nas últimas duas décadas. No entanto, era o maior evento do futebol mundial e evidentemente despertava a atenção da imprensa de vários países. Para a FIFA, a realização da Copa do Mundo em um país da América Latina, inseria o Brasil definitivamente no projeto expansionista traçado pela entidade. Para as autoridades locais, a realização do evento era uma oportunidade única de mostrar ao mundo a potencialidade de uma nação que caminhava rumo ao desenvolvimento. Na atmosfera criada pelos veículos de comunicação em torno da Copa de 1950, o futebol metaforizava afirmações do nacionalismo e do patriotismo, pois os cronistas conclamavam o povo a se orgulhar do seu país. A realização do evento e a construção de estádios como o Maracanã e o Independência, eram simbolizados como feitos grandiosos da nação e da sociedade brasileira. No nível local, as cidades-sede Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife orgulhavam-se da visibilidade promovida pelo evento e, principalmente, do legado deixado pela Copa que se materializava na construção na reforma dos estádios.
Raphael Castilho - Qual a principal diferença que você vê entre essas duas edições?
Prof. Euclides de Freitas Couto - Por se tratar de um megaevento esportivo, a Copa do Mundo de 2014 possuiu, inegavelmente, potencial econômico e simbólico muito maiores do que a Copa de 1950. Em 1950, embora o evento tivesse apelo mundial, algumas seleções européias desistiram da disputa e apenas 13 países participaram da competição que se realizou em seis cidades-sede. Em 2014, nós tivemos a participação de 32 delegações e 12 cidades-sede. No entanto, a principal diferença entre as duas competições, está no potencial midiático e econômico que o maior evento da FIFA alcançou nas últimas 3 décadas. As seis últimas Copas do Mundo FIFA se tornaram o evento esportivo mais assistido em todo mundo, pois são dotadas de imensurável poder simbólico e de apelo comercial.
Raphael Castilho - Quais as características desse evento o livro propõe analisar?
Prof. Euclides de Freitas Couto - A proposta deste livro reúne pesquisas de seis autores oriundos de diferentes áreas de formação (História, Jornalismo, Letras) que analisam as duas Copas do Mundo FIFA realizadas no Brasil, nos anos de 1950 e 2014, respectivamente. O diacronismo temporal das competições permitiu-nos revisitar diferentes cenários políticos, culturais e econômicos na recente história brasileira no intento de desvelar as relações de poder, os cenários culturais, as tensões ideológicas e os interesses econômicos que permeiam a realização dos megaeventos esportivos. Dotadas de imensurável valor simbólico, especialmente em função da sua intensa circulação nos mass media, as Copas do Mundo FIFA se tornaram momentos privilegiados para se compreender não apenas a dinâmica esportiva per si, mas um conjunto heterodoxo de facetas históricas que vão se descortinando por meio da análise dos discursos oficiais, da imprensa especializada e da memória de diferentes atores sociais.
Além do Prof. Euclides, as pesquisas do livro são de autoria do doutor, em História em Comparada, Álvaro Vicente Cabo; do pós-doutor, em Estudos Organizacionais, Teoria Literária e História Comparada, Elcio Loureiro Cornelsen; de Francisco Ângelo Brinati, doutor em Comunicação Social; do meste em Ciências Sociais Marcus Vinícius Costa Lage e, por útlimo, do historiador Raul de Paiva Oliveira Castro.
A entrada para o lançamento foi gratuita e o Centro Cultural UFSJ fica localizado no Solar da Baronesa, na Praça Dr. Augusto de Chagas Viegas, nº 17, em São João del-Rei.
Publicado em: 30 de maio de 2019
Texto: Raphael Castilho
Imagem: Divulgação