Exposição crestomatia deixou sua marca por São João del-Rei
- Lara Aquino
- 31 de mai. de 2019
- 3 min de leitura
Temas como religiosidade, representatividade e valorização da negritude foram abordados

Foto: Divulgação/Facebook do Centro Cultural UFSJ
Convite do Centro Cultural UFSJ para a Exposição Crestomatia
A exposição Crestomatia, do artista betinense William Mota reuniu, no Centro Cultural UFSJ, uma série de trabalhos criados ao longo de sua carreira. A exposição teve abertura no dia 28 de fevereiro e as visitações foram até o dia 07 de abril no Centro Cultural, localizado na praça Dr. Augusto das Chagas Viegas, 17, centro de São João del - Rei.
Mais conhecido por W Mota, atua como artista plástico desde 2004 e atualmente trabalha como Artista Visual, professor na rede estadual de Minas Gerais e Ogan na Casa de Culto Afro-brasileiro Nossa Senhora das Candeias Ogum Xoroquê - Betim/MG. O betinense tem como principal referência as marcas e símbolos de matrizes africanas, ressaltando elementos que compõem suas expressões afro-brasileiras de resistências do povo negro, com foco na religiosidade das religiões de matriz africana.
A exposição foi composta por duas instalações, na qual foi apresentado uma série de objetos, a série de telas “Congado” e a série de telas “Orixás”. A mostra evidenciou trabalhos que foram concebidos entre 2014 e 2018 durante sua trajetória, passando por produções em solo brasileiro, um intercâmbio em Moçambique e uma residência artística em Lisboa. “A ideia da exposição surgiu com a abertura do edital (...) Como artista visual, venho sempre buscando novos espaços através de editais de ocupação galerias e centro culturais. Quando eu fiquei sabendo deste edital resolvi mandar minha proposta e tive a felicidade de ser aprovado”, afirmou W Mota.
O edital em questão disponibilizava um espaço para uma exposição individual e não para ações coletivas o que, segundo W Mota, é algo incomum e foi assim que ele criou o conceito de sua nova exposição. “Como o edital era para uma exposição individual, eu optei pela opção de apresentar uma coletânea, um pouco de cada fase do meu trabalho com vários momentos da minha caminhada. Daí veio o nome crestomatia, que quer dizer coletânea”, relata W Motta.

Foto: Divulgação/São João del-Rei Transparente
Panfleto de convite para a Exposição Crestomatia
O artista conta ainda que em uma análise mais aprofundada da palavra, “cresto” estaria relacionado a cor preta. “...Aquilo que é preto é muitas vezes visto como algo sombrio e obscuro. E em um processo de ressignificação e de valorização daquilo que é negro, eu como negro, e como uma pessoa que aborda as africanidades e a negritude, trouxe o meu trabalho como se fosse uma coletânea negra, uma coletânea preta.”, explica.
A exposição foi vista pelo artista como uma boa oportunidade de divulgar seu trabalho para fora da cidade onde ele vive, fazendo com que sua obra fosse executada, vivenciada e apreciada por outras pessoas. Já que em suas obras foram abordados referências da cultura africana, ancestralidade negra e religiosidade de matriz africana.
Tudo isso “numa tentativa de contribuir para promoção da igualdade racial (…) A religiosidade eu acredito ser uma das manifestações do movimento negro mais perseguidas. E a gente vive hoje no Brasil, um momento intenso de intolerância religiosa então (…) é importante colocar à mostra essas questões para serem discutidas, vivenciadas e experimentadas”, enfatiza W Mota.

Foto: Divulgação/Facebook do Centro Cultural UFSJ
Convite do Centro Cultural UFSJ para a Exposição Crestomatia
Também foi alcançado com a exposição um bom reconhecimento para o artista. Ele esteve presente durante a montagem da exposição, no período de pré carnaval, no qual muitas pessoas passaram pelo Centro Cultural e viram, comentaram e elogiaram as obras. E mesmo após o sua partida o artista pode acompanhar uma grande interação em suas redes sociais. “foi interessante...foi válido, foi rico pra mim foi bacana.”, conclui W Mota.
Publicado em: 31/05/2019
Texto: Lara Aquino
Foto: Divulgação