As bibliotecas do centro histórico são - joanense e suas riquezas culturais
- Maria Eduarda Carvalho
- 23 de mai. de 2019
- 5 min de leitura
Música, cultura, religiosidade e livros: conheça um pouco mais sobre as bibliotecas do centro de São joão del - Rei

Vista da Igreja Nossa Senhora do Carmo.
As bibliotecas são muito importantes na história e na cultura de diversas cidades, por abrigarem variados livros, jornais e a memória das inúmeras pessoas que por elas passaram. Isso também não é diferente em São João del - Rei, cidade que abriga a primeira biblioteca pública de Minas Gerais.
No centro histórico da cidade podem ser encontradas três grandes bibliotecas: a Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, a biblioteca do Memorial Dom Lucas e a biblioteca do Centro de Referência Musicológica José Maria Neves (CEREM).
Biblioteca Municipal de São João del - Rei
A Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida, é nomeada a primeira biblioteca pública de Minas Gerais. Ela é assim chamada em homenagem ao seu fundador: Baptista Caetano d'Almeida. Em 24 de julho de 1824, Baptista Caetano enviou uma petição à corte com o propósito de conseguir autorização para criar uma livraria pública em São João del - Rei e tal seria primeiramente constituída com uma coleção de livros da sua propriedade. Porém, só em 1827 a livraria pública foi inaugurada em uma das salas da Santa Casa da Misericórdia. O fundador buscou manter a biblioteca até 1838, e veio a faleceu dois anos depois.
A biblioteca conta com um acervo de aproximadamente 28 mil livros, que são entre eles livros de ciências humanas, filosofia, sociologia, religião, literaturas estrangeiras, enciclopédias e literatura brasileira. Além disso, a biblioteca abriga uma quantidade de jornais, tanto são - joanenses quanto de outros lugares do Brasil e do mundo. Entre esses estão arquivados, o Diário do Comércio de 1956, o Domingo Repórter, a coleção da Noite Ilustrada, um jornal do Rio de Janeiro, e também obras raras como “Le Monité” que conta a história da Revolução Francesa.
“Eu acho que a biblioteca é cultura. Eu fico triste quando chega alguém aqui de São João e fala que nunca entrou aqui, por que tem muita riqueza e muita cultura. Hoje em dia isso vai perdendo um pouco e a gente tem que valorizar, porque hoje com o acesso a tecnologia todo mundo tem um celular que faz pesquisa e busca qualquer coisa pelo celular. Quando os alunos que vêm para cá, por exemplo, e querem fazer uma pesquisa eles já pedem o computador. Eles não pedem mais o livro e é tão importante você pegar um livro. A gente tem que valorizar, porque não pode perder esse habito da leitura, por que isso é o que enriquece”, diz a auxiliar de biblioteca Maria da Glória S. S. Coelho.
A Biblioteca Municipal realiza um trabalho de digitalização, conservação e restauração dos materiais, entre eles livros e jornais. “As nossas obras raras que estão na UFSJ. Se a gente tivesse um espaço próprio seria um prazer deixar aqui, mas lá está bem guardado também”, complementa Maria da Glória.

Biblioteca Municipal Baptista Caetano d'Almeida.
CEREM (Centro de Referência Musicológica)
Desde muito tempo a música é responsável pela criação da identidade cultural de São João del - Rei. A cidade já fazia música erudita em 1710, que é muito anterior à chegada de Dom João VI. A história do Centro de Referência Musicológica (CEREM) se inicia logo após a morte seu patrono, José Maria Neves. Sua irmã Estela Neves compra uma casa, onde atualmente se encontra o CEREM, e doa para uma instituição onde futuramente levaria o nome de seu irmão. Em 2004, Anna Maria Parsons e João Bosco Teixeira criaram um projeto de recuperação do local. A casa foi demolida e o projeto foi aprovado para a criação do Centro de Referência Musicológica.
A biblioteca que se encontra no CEREM, constituída majoritariamente pelo acervo pessoal de Tarcísio do Nascimento Teixeira, conta com a presença de aproximadamente 2500 livros e todas as obras são somente sobre música. Além disso conta com obras impressas, cópias xerográficas, cerca de 65 mil partituras (entre elas italianas, francesas, alemãs, etc) e impressões das maiores casas de música do mundo como, por exemplo, a União Musical Espanhola. “Além desses tinham muitos outros, as revistas em quadrinhos, os quadros dele de montar de 5000 peças, tudo meticulosamente guardado e 7500 livros de literatura nos quais 2500 são esses aqui. Mas aqui é só música, aqui você não vai achar Carlos Drummond de Andrade, isso estava lá no outro setor”, afirma Segundo João Bosco de Castro Teixeira, membro do Conselho Curador,
O CEREM ainda conta com uma área para estudantes e pesquisadores, com a presença de apartamentos para serem utilizados durante o processo de pesquisa. “Tem uma área para estudantes e pesquisadores. Nós chegamos a construir dois apartamentos aqui e nunca foram utilizados. O apartamento tem banheiro e uma pequena copa. O de baixo nós eliminamos e lá pusemos a parte de discografia do Tarcísio, que são 4500 LPs, olha que riqueza”, diz João Bosco.

Biblioteca do Centro de Referência Musicológica (CEREM).
Memorial Dom Lucas
O Memorial Dom Lucas, localizado em frente à Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, foi fundado em 2003. Dom lucas foi arcebispo de Salvador durante alguns anos e trabalhou em Roma durante alguns períodos segundo a necessidade do papa da época, João Paulo II.
A biblioteca do Memorial Dom Lucas reúne obras que vieram tanto de Salvador, quanto de Roma, que foram os dois lugares onde Dom Lucas esteve principalmente durante a sua vida. A biblioteca conta com aproximadamente 15 mil títulos, entre eles livros de história, filosofia, teologia, assuntos religiosos específicos, literatura, enciclopédias, diversas bíblias, material sobre religiões de matrizes africanas, culinária, história da arte, astronomia, dança e outros livros sobre diversos assuntos. Além disso a biblioteca conta com uma diversidade gigante de idiomas que reflete até mesmo no Dom Lucas que era fluente em oito.
Quase todo o acervo da biblioteca é pessoal de Dom Lucas, no qual alguns ele ganhava de presente e ia acumulando ao decorrer da vida, além dos 14 livros publicados no qual ele mesmo escreveu. “Geralmente o visitantes perguntam se o Dom Lucas leu isso tudo. Eu acho difícil, porque ele já sabia que ele tinha um livro que falava sobre determinado assunto. Por exemplo dom lucas tinha literatura vasta de Jô soares a Paulo Coelho, e tinha também material de história da arte”, diz Jean Carlos de Resende Abreu, recepcionista do Memorial Dom Lucas.
A biblioteca do memorial fica aberta para a visitação tanto de turistas, quanto dos habitantes de São João del - Rei. “Pra cidade eu acredito que nessa mais interessante no sentido desse diálogo entre vários assuntos. A gente tem um atlas ilustrado aqui maravilhoso, então se a pessoa que desejar um conhecimento mais amplo, a biblioteca do Dom Lucas é reúne material muito importante”, completa Jean Carlos

Biblioteca do Memorial Dom Lucas.
Cada uma dessas bibliotecas que se encontram no centro histórico e constituem grande parte da história de São João del - Rei tem a sua importância para a cidade. Todas estão aberta à visitação do público, em horários e dias específicos, tanto para os habitantes da cidade, quanto para os turistas que hora ou outra passam por aqui.
Publicado em: 23/05/2019
Texto: Maria Eduarda Carvalho
Foto: Maria Eduarda Carvalho