Os encantos da Rua Santo Antônio
- 10 de out. de 2018
- 2 min de leitura
Na noite anterior lembrei-me de conferir o equipamento: câmera, bateria e cartão. Tudo estava ok! Aprendi a programar minhas atividades com antecedência, pois dessa forma as chances de obter êxito seriam maiores. Antes de dormir pensei em possíveis cenários para compor meu ensaio. Bem, no dia 9 de setembro foi inaugurada no Memorial Dom Lucas uma exposição de fotografias de minha autoria, cujo foco foi a Rua Santo Antônio, e era justamente naquela rua que iria passar boa parte da manhã.
Levantei mais cedo do que o habitual, tomei um café e segui com meus planos. Uma atividade aprazível para uma manhã um pouco nublada e fria. São João del-Rei é uma cidade que me fascina e onde costumo buscar inspiração para meu trabalho na área da Street Photography e o qual intitulo “Fragmentos do Cotidiano - Poéticas Urbanas”. Gosto da cidade, de seu povo hospitaleiro e da arquitetura que remete a tempos remotos. Fico a imaginar, se não tivesse seguido a carreira de jornalista, provavelmente seria uma arquiteta.
Pelo caminho, encontro alguns conhecidos e os cumprimento com um “bom dia.” Um senhor pede que eu faça um retrato dele. Prontamente, preparo o equipamento e ele se posiciona em frente a uma porta azul. Ele sorri e faço o retrato. Ainda sorridente, ele agradece pela minha atenção e boa vontade. Prometi a ele que revelaria a imagem e o entregaria. Continuo meu trajeto e já na Rua Santo Antônio, calma e contemplativa, registro o cenário. Há poucos transeuntes, alguns calados, outros interagindo. Decido ir mais adiante.
Próximo à capela de Santo Antônio, enquanto eu fotografo, um senhor, com olhos curiosos me observa e diz: O que você está fotografando menina? Digo que são os reflexos das casas na água. Ele demonstra certa admiração. Começamos a conversar sobre a Rua e conto a ele de minha exposição. Ele promete que vai visitar o Memorial e prestigiar o meu trabalho.
Sr. Fernando Coelho, me apresenta então alguns moradores, um era músico e outra, uma professora. Sinto-me de certa forma acolhida e penso: Essa cidade é realmente fascinante! Vamos então caminhando e contando causos até a casa onde nasceu Dom Lucas. Ele demonstra muito conhecimento sobre a história da cidade e explica que seu irmão, Sr. Evandro Coelho, é historiador. Enquanto conversávamos, continuei fotografando. Dessa vez, despertou-me a atenção um cãozinho na janela. E o fotografei todo pomposo. Mais tarde descobri que seu nome era Tigrão. Já eram 10h30, Sr. Fernando explica-me que tem que viajar. Eu o agradeço pela conversa e receptividade e nos despedimos. Meu sentimento naquela manhã era de gratidão. E como dizia Vinicius de Moraes: “A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida”




















































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